Atendendo às ideias que já foram apresentadas, vou apresentar uma que pretende enquadrar-se com elas, tendo como objectivo encontrar pontos comuns para formar aquela linha geral que nos vai unir a todos.
Se queremos caminhar unidos, questionemos a nossa separação; assim como de quem estiver perante o resultado final.
Há uma tese de Guy Debord que explora isto de magnificamente: La Societe du Spectacle. Uma vez que estamos a seguir este caminho artístico, penso que as ideias dele se enquadram perfeitamente na minha e com as ideias já apresentadas.
Não tentando ser completo, a tese demonstra como vivemos numa sociedade em que todos têm o seu papel, representam e fazem parte de um espetáculo, nos sentidos literais destas palavras, por tudo estar tão distante de ser verdadeiro e genuíno. A comunicação efectuada nestes moldes é percebida por pessoas que se sentem espectadores, separados de quem tentam entender, eliminando assim qualquer possibilidade de isso acontecer.
O meu objectivo seria de fazer um espectáculo do espectáculo, onde as representações fossem conscientes de tal. Isto funcionaria como um treino de questionamento, uma vez que é preciso ter consciência das coisas para as questionar.
O performer, ou seja, qualquer pessoa no espaço da instalação, deveria aperceber-se que está nesse papel, e que a sua representação deixa uma marca, tal como na vida real.
ele deverá ser capaz de comunicar, preferencialmente através de imagens e sons, um leque alargado de coisas invisivéis à partida, tal como as suas emoções, pensamentos ou vontades.
Assim, a implementação da ideia estaria manifestada, também, da seguinte forma.
Uma imagem seria projectada por trás de performers separados por uma divisão, de modo a que a suas sombras(incluindo a divisão) fossem os protagonistas da imagem. (Analogia com a sombra que parecemos por não nos verem como somos, mas como fruto de uma representação)
o fundo poderia ser escolhido e manipulado através da caixa midi ou outra forma, desde que sejamos nós a fabricar o modo de interacção.
da mesma forma se controlariam as imagens/desenhos/sons com que se quisesse comunicar.
as imagens seriam pré-estabelecidas, possibilitando apenas a sua escolha e manipulação (cor/tamanho/forma) e sairiam da sombra. elas poderiam também mover-se controladamente até a sombra do outro lado da divisão.
os desenhos seriam preferencialmente feitos com o multitouch, onde se pudesse inserir desenhos à imagem que já existisse, apenas do nosso lado.
visto os meios serem poucos, proponho que dum lado esteja o equipamento multitouch e do outro o controlador midi(ou outros)
a sombra seria reconhecida por visão por computador.
imaginei como que um barómetro a um canto da imagem onde os valores de diferentes emoções/vontades/coisas-interiores poderiam ser mostradas/escolhidas/criadas.
caixas de texto ou apenas palavras inseridas e com movimento para poderem chegar ao outro lado.
bem, pra já está assim a ideia, que derivou em parte da ideia da susana e espero seja fruto de boas evoluções por participação de todos.
Abraço
Henrique
não sei porque nao consigo comentar..
queria deixar este site com a obra a que me refiro
http://www.geocities.com/jneves_2000/debord.htm
enjoy