Palestra MIEIC na semana da FEUP – 31 Outubro de 2008

Na semana passada decorreu na FEUP uma série de palestras direccionadas, em especial, aos alunos do Mestrado Integrado de Engenharia Informática e Computação. A Audiência Zero (AZ) encerrou na passada 6ª feira, 31 de Outubro, este ciclo de conferências. 

Esta participação surgiu após um convite do Prof. José Magalhães Cruz que considerou de extrema importância o papel que a AZ tem vindo a desempenhar a nível da formação tecnológica/artística no plano nacional. O objectivo desta participação consistiu em expor algumas disciplinas que são abordadas no recente e promissor Laboratório de Criação Digital (LCD).

Para este efeito, os temas escolhidos foram: Blender (por Luís Belerique), Programação Criativa (por Pedro Ângelo), Physical Computing (por Filipe Valpereiro) e Visão por Computador (por Eduardo Marques).

A ferramenta 3D opensource Blender foi apresentada com grande entusiasmo por Luís Belerique, formador na Audiência Zero e artista freelancer. Foi mostrado de uma forma simples e objectiva algumas funcionalidades desta ferramenta a vários níveis: modelação, animação, texturas e materiais, iluminação e edição de vídeo. O Luís utilizou alguns termos comparativos com outras ferramentas proprietárias, por forma a destacar quer a crescente importância do Blender, mesmo no panorama comercial, quer a sua surpreendente evolução tecnológica. Esta palestra culminou com a demonstração do motor de jogo do Blender, que tem sofrido também profundos melhoramentos.

A programação criativa foi o termo que Pedro Ângelo utilizou para descrever o seu trabalho que realiza no tempo livre. Apresentou esta palestra focada num ponto crítico: a visão do paradigma de programação como um problema de literacia. Este ponto crítico tratou o óbvio a que se refere, e aprofundou a sua intervenção sobre o poder e liberdade que a programação confere a quem a sabe aplicar. Pedro apresentou de seguida, e de forma sequencial, várias plataformas de desenvolvimento criativo, algumas especificações das mesmas e respectivas demos. Algumas destas plataformas foram: Openframeworks, Processing, Nodebox e PureData. De salientar o destaque dado à plataforma Shoebot que está a ser desenvolvida por um dos participantes do LCD, Ricardo Lafuente. Esta palestra foi encerrada com um convite à participação aberta no LCD.

O Filipe Valpereiro, já conhecido por todos os membros do LCD, falou principalmente sobre a importância e utilização cada vez mais constante do termo Physical Computing na nossa sociedade a vários níveis. A palestra começou com a descrição do termo, seguida da sua aplicabilidade através da amostra de alguns trabalhos de alguns artistas como Usman Haque. Foi mostrado também, algumas plataformas de desenvolvimento, quer a nível de hardware, quer a nível de software. Especial destaque para o Arduino e Phidgets, onde foram descritas as suas especificações, funcionalidades e diversidade de configurações. Em termos de software criativo o MAX/MSP e Processing assumiram relevância. A necessidade de prototipar de uma forma rápida e eficaz, com muita atenção ao hardware e pouca ao software, a constatação de cada vez ser mais fácil e barato prototipar foram uma constante ao longo da palestra. Esta parte culminou com uma demonstração de reaproveitamento de hardware.

A série de palestras da AZ foi encerrada por Eduardo Marques com o tema Visão por Computador: da ciência até a arte. De início, foi apresentada uma breve descrição técnica e científica da disciplina, onde foram descritos alguns sistemas e métodos mais utilizados. Na continuação da vertente científica, foi mostrado um estudo da história e evolução de áreas diversas (ex. visão perceptual, inteligência artifical, robôtica, etc) que contribuiram para definir o paradigma de visão por computador, realçando acontecimentos, estudos, instituições e pessoas destas mesmas áreas. Em termos artísticos, foram mostrados alguns trabalhos importantes que definiram a intervenção desta disciplina como meio artístico e social. Especial relevância foi dado ao trabalho pioneiro desenvolvido por Myron Krueger. O encerramento desta palestra constou numa série de referências que englobavam artistas, ferramentas, lugares criativos e conferências científicas mais importantes.

De salientar a intervenção de Filipe Barreira, um dos elementos que abraçou o projecto LCD, que expôs a sua opinião em relação à iniciativa da Audiência Zero, cativando e apelando ao público a participar, descomprometidamente, nas sessões de 3 feira à noite na Galeria Arménio Losa. Esta opinião surgiu no seguimento da intervenção do próprio Prof. José Magalhães Cruz, que desconhecia algumas das ferramentas e tecnologias que foram mostradas, levando-o a fazer um voto público de compromisso para incentivar alguns professores da FEUP a “revolucionar” um pouco os métodos actualmente em uso.

Esta intervenção de divulgação já deu os seus primeiros frutos, pois esta 3 feira já tivemos mais 2 elementos que se juntaram ao fantástico grupo que compõe actualmente o LCD. Sejam bem-vindos!!

Aqui ficam os links para as apresentações:

5 Responses to “Palestra MIEIC na semana da FEUP – 31 Outubro de 2008”

  1. lobo says:

    Ninguém da FEUP tirou fotos?

  2. Não vi ninguém com câmara por lá. Se houver fotos, alguém que se acuse :)

    Assim que tiver os PDF’s das apresentações acrescento ao artigo.

  3. ps says:

    quando eu andei lá não havia nada disto -_-
    decididamente nasci um par de anos demasiado cedo. :/
    espero que tenha corrido bem :)

  4. Maravilha !!!

    A audiência foi pequena como é esperado mas valeu o esforço. Conheço pelo menos algumas pessoas que gostaram da apresentação de todos nós :)

  5. *bump*

    Vejam no fim do artigo os links para as apresentações.

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